Drone autônomo submarino FlatFish ganha prêmio internacional de inovação

Projeto originalmente desenvolvido pela Shell e Senai CIMATEC, em fase de industrialização e comercialização pela Saipem, testado por meio de um Projeto multicliente (JIP) com Petrobras, recebe reconhecimento na OTC

O FlatFish recebeu o prêmio ‘Spotlight 2023 de Nova Tecnologia’ na OTC realizada de 1 a 4 de maio em Houston, nos Estado Unidos. A conferência é um dos principais eventos de energia do mundo e premiou 15 tecnologias que estão revolucionando o futuro do setor offshore. Os vencedores foram selecionados com base em cinco critérios principais: a novidade da tecnologia no mercado, a inovação, o sucesso demonstrado, o amplo apelo comercial e a capacidade de causar um impacto significativo no setor offshore. O FlatFish é um veículo autônomo submarino (AUV) originalmente desenvolvido pela Shell Brasil e Senai CIMATEC, atualmente em fase de industrialização e comercialização pela Saipem, testado por meio de um Projeto multicliente (JIP) que incluiu também a participação da Petrobras.

A gerente de Tecnologia da Shell Brasil, Rosane Zagatti, ressalta que uma nova era em que a inspeção e as intervenções submarinas serão completamente autônomas começou. Os robôs assumem um papel importante em áreas onde os humanos não podem operar. “AUVs como o FlatFish estão mudando o estado da arte na forma como as inspeções e intervenções são feitas nas operações submarinas de petróleo e gás. O FlatFish é um exemplo importante de como o desenvolvimento tecnológico em robótica e IA pode contribuir para a redução dos custos de inspeção, aumentar a disponibilidade de instalações offshore e a segurança.”

O equipamento é fruto de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento iniciado pela Shell Brasil com o Senai CIMATEC, desenvolvido com recursos financeiros oriundos da cláusula de PD&I da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Ele foi idealizado para inspecionar e monitorar infraestruturas submarinas complexas de forma inovadora e rotineira, desde águas rasas até 3.000m de profundidade, sem intervenção humana ou auxílio de embarcações de apoio, as quais podem custar até 100 mil dólares/dia.

Do plano à execução, o FlatFish real já deixa um legado. O projeto contribuiu para a criação de um Centro de Competência em robótica e sistemas autônomos no Senai CIMATEC, na Bahia, “o qual capacita jovens engenheiros para o mercado brasileiro. Além disso, possui um vasto portfólio de projetos de desenvolvimento de tecnologias na área de robótica aplicada a petróleo e gás, além de outros segmentos industriais”, diz Leonardo Nardy, gerente de negócios do Senai CIMATEC.

Em 2018, a Saipem do Brasil se juntou à parceria para industrializar e comercializar o FlatFish, com a ambição de desenvolver e qualificar um produto industrial adequado a operações globais. A tecnologia foi desenvolvida e um processo de industrialização foi iniciado que levou à execução de testes em ambiente controlado (águas abrigadas) e operacional (águas rasas e profundas) desde 2021, por meio de um Projeto Multicliente (JIP) envolvendo a Shell Brasil, Petrobras, Saipem e Senai CIMATEC. Recentemente, o FlatFish passou por testes executados na costa brasileira, chegando a alcançar 1.800 m de profundidade. Para Gustavo Adolfo Freitas, gerente de P&D de Sistemas Submarinos do Centro de Pesquisas da Petrobras, “não vemos como aprimorar nossas operações e vencer os novos desafios que se impõem na indústria de O&G sem a evolução do uso da robótica e consequente inclusão de IA, principalmente no cenário brasileiro onde as atividades de exploração e produção se dão em enormes profundidades. Combinar em nossas operações fatores relacionados ao aumento de segurança, otimização e redução de emissões de gases de efeito estufa, somente com equipamentos como o FlatFish será possível.”

O diretor de Operações de Robótica e Soluções Industrializadas da Saipem, Mauro Piasere, celebra o reconhecimento: “este prêmio é uma prova do compromisso da Saipem com o desenvolvimento de soluções de ponta para o mercado de energia offshore, para integridade de ativos submarinos e inspeção, permitindo mais eficiência de custos e esforços de descarbonização para nossos clientes de energia”.

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