Quatro atitudes ajudam empresas a transformar autocuidado em prática contínua

Constância segue como principal desafio na gestão do estresse e da saúde emocional no ambiente corporativo
Relatórios da Organização Mundial da Saúde indicam que ansiedade e depressão estão entre as principais causas de incapacidade no mundo, com impacto direto sobre produtividade, absenteísmo e afastamentos do trabalho. No Brasil, dados do Ministério da Saúde e do INSS mostram crescimento contínuo das licenças relacionadas a transtornos mentais. Apesar do avanço no acesso a conteúdos e iniciativas de bem-estar, a mudança de comportamento nas empresas não acompanha esse movimento. O principal entrave segue sendo a constância.
Campeãs do mundo? Com Corinthians na final, Betfair analisa Mundial de Clubes Feminino
Para Claudia Faria, palestrante especializada em regulação emocional aplicada à tomada de decisão e criadora do método Yoga Adventure, o excesso de soluções pontuais e de curto prazo compromete a efetividade das ações. A especialista desenvolveu sua abordagem a partir de experiências em escaladas e ambientes de alta pressão, onde controle emocional, leitura do corpo e decisão rápida são determinantes. “Em contextos extremos, não existe prática ocasional. Ou a resposta é treinada, ou o risco aumenta. No trabalho, a lógica é a mesma, ainda que o risco não seja físico”, afirma.
Vale a pena comprar um Kindle? Prós e contras do e-reader da Amazon
A fragmentação das rotinas corporativas e a cultura de urgência permanente ajudam a explicar a dificuldade de manter práticas contínuas. Levantamentos da consultoria Gallup indicam queda de engajamento e desempenho entre profissionais submetidos a níveis elevados de estresse. Iniciativas adotadas apenas em momentos de crise tendem a gerar alívio momentâneo, mas pouco impacto no médio prazo.
Alunos usam IA no dia a dia, mas pedem mais orientação de professores
No ambiente empresarial, a ausência de estratégias estruturadas de regulação emocional também se traduz em custos objetivos. A Organização Internacional do Trabalho estima perdas bilionárias anuais associadas ao estresse ocupacional, considerando absenteísmo, presenteísmo e redução de produtividade. Programas implementados como ações isoladas costumam registrar baixa adesão e dificuldade de mensuração de resultados.
Segundo Claudia, experiências testadas em ambientes de pressão real mostram que práticas contínuas apresentam maior eficácia quando integradas à rotina. “Quando o cuidado deixa de ser um evento pontual e passa a funcionar como treino recorrente, surgem ganhos em clareza de decisão, redução de conflitos e maior capacidade de lidar com pressão”, observa. O foco, segundo ela, não é desempenho físico, mas regulação emocional aplicada ao trabalho.
Para indivíduos e empresas, o ponto de partida costuma ser a adoção de práticas simples, de curta duração e alta frequência. Técnicas de respiração associadas a movimentos acessíveis tendem a apresentar maior aderência quando incorporadas ao cotidiano. Soluções genéricas, como aplicativos ou conteúdos avulsos, ampliam o acesso, mas enfrentam dificuldade de sustentação ao longo do tempo.
Na contratação de profissionais ou programas especializados, a orientação é avaliar metodologia, experiência prática e adaptação à realidade corporativa. Abordagens validadas em contextos de alta pressão, com acompanhamento contínuo e expectativas bem definidas, tendem a gerar resultados mais consistentes. “Autocuidado não é resposta emergencial, é treino. Quando isso fica claro desde o início, a chance de adesão aumenta”, conclui.
Quatro atitudes ajudam a sustentar o autocuidado no ambiente corporativo
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a constância depende menos de motivação individual e mais de estrutura organizacional. Algumas orientações contribuem para aumentar a aderência ao longo do tempo:
- Priorizar práticas simples e de curta duração, que possam ser incorporadas à rotina sem grandes ajustes operacionais.
- Associar as práticas a horários fixos ou a gatilhos do dia a dia, como início ou encerramento do expediente.
- Evitar soluções genéricas e sem acompanhamento, que tendem a perder efeito no médio prazo.
- Encarar o autocuidado como treino contínuo, e não como resposta pontual a situações de crise.
Para Claudia Faria, a insistência em soluções rápidas desvia o foco do que sustenta resultados no longo prazo. “Constância não é repetir por obrigação, é criar uma relação prática com o corpo e com a rotina. Quando isso acontece, o impacto aparece de forma consistente”, afirma.



Publicar comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.