Saúde mental e alimentação estão entre os temas de saúde mai buscados por brasileiros em IA, aponta estudo

Um estudo realizado pela plataforma de consultas online Olá Doutor revelou que saúde mental, alimentação e condicionamento físico estão entre os assuntos de saúde que mais levam os brasileiros a buscar respostas em ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT e Gemini. Esses temas só ficam atrás das pesquisas sobre sintomas gerais, como febre, dores e mal‑estar, e demonstram como a IA vem ganhando espaço na rotina de cuidados

Mulher segurando frasco de remédio e celular
Youngreading a medicine prescription on her smart phone while holding a pill bottle.

pessoais.

Temas de saúde mais buscados em IA

Na pesquisa, os sintomas gerais como febre, dores e desconfortos lideram o ranking (59,6%) dos termos de saúde procurados em plataformas de IA. Em seguida aparecem nutrição e alimentação (54%), saúde mental — ansiedade, estresse e depressão — (46,8%) e exercícios físicos e condicionamento (44,8%). Outros temas que mobilizam os usuários são informações sobre medicamentos e efeitos colaterais (44,6%), dermatologia (32,8%), cuidados preventivos e qualidade de vida (32,2%), doenças crônicas (28%), questões de saúde íntima (26%) e primeiros socorros (16,2%).

Segundo a pesquisa, o público que mais recorre à IA para tirar dúvidas de saúde é majoritariamente feminino: 74,5% das usuárias são mulheres. Jovens com menos de 30 anos e estudantes também se destacam entre os que fazem consultas digitais. Entre os principais objetivos estão esclarecer sintomas (70% dos entrevistados), obter informações sobre medicamentos (49%), compreender diagnósticos (41,6%) e interpretar exames

Impactos positivos e mudanças de hábitos

Apesar dos riscos, o estudo mostra que o uso de assistentes de IA pode estimular cuidados saudáveis. Para 58,8% das pessoas, a consulta digital aumenta a atenção aos sintomas e incentiva a busca por atendimento preventivo. Para 52,4%, a interação com a IA estimula uma atitude mais proativa em relação à própria saúde, e 45,4% relatam que mudaram hábitos de dieta, exercícios ou sono após usar plataformas como ChatGPT e Gemini.

Riscos e desafios de recorrer à IA para saúd

Apesar dos avanços, o uso excessivo de assistentes de IA para consultas de saúde pode trazer prejuízos. Segundo a pesquisa, 20,2% dos entrevistados passaram a pesquisar em excesso sobre sintomas, 16,8% sentiram mais ansiedade e 14% ficaram confusos após uma consulta digital. Erros de interpretação são comuns: 30,4% chegaram a imaginar que sintomas leves eram sinais de doenças graves, enquanto 22,4% minimizaram sinais importantes. Outros riscos incluem seguir orientações contrárias ao médico (13%), adiar o atendimento profissional (8,6%) e até automedicar-se (8,2%).

Futuro da IA na saúde e confiança

O estudo também avaliou a percepção dos brasileiros sobre a segurança e o futuro da IA na saúde. Mais da metade dos entrevistados (52,8%) afirmam não confiar no armazenamento de dados em plataformas digitais, enquanto 33,8% se sentem seguros e 12,6% disseram não confiar. Quando questionados sobre o futuro, 29,8% acreditam que a IA deve impulsionar inovações como aliada de médicos e profissionais, enquanto 26,8% acreditam que seu uso será mais restrito. A pesquisa contou com 500 adultos e tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.