O Início do Projeto Estruturante de Baterias de Íons-lítio: Um Marco para o Futuro

Fotos: Davi Bortolossi

Na última terça-feira, 20 de agosto, tivemos um momento verdadeiramente histórico em Curitiba. Foi o dia da reunião de Kick Off que lançou oficialmente o Projeto Estruturante de Baterias de Íons-lítio. Este é um projeto que promete ser um divisor de águas para o Brasil, e eu estou aqui para compartilhar com vocês todas as novidades e expectativas que envolvem essa iniciativa tão grandiosa.

O Que é o Projeto Estruturante de Baterias de Íons-lítio?

O projeto tem como objetivo principal conquistar a independência tecnológica na produção de células de íons-lítio ao longo de três anos. E, claro, quando falamos de independência tecnológica, estamos nos referindo a uma transformação significativa no setor de baterias, algo que pode colocar o Brasil na vanguarda dessa tecnologia crucial.

Uma Abertura de Evento Marcante

Durante o evento de abertura, contamos com a participação virtual de duas figuras de grande importância: Roberto Medeiros, superintendente de Inovação e Tecnologia do SENAI Nacional, e Luciano Cunha de Sousa, coordenador de novos programas da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). Foi uma verdadeira honra ouvir essas lideranças expressarem seu entusiasmo e confiança no projeto.

Roberto Medeiros começou com um discurso inspirador, ressaltando o caráter histórico do momento: “Acredito que estamos vivenciando um momento histórico. Parabéns a todos. Tenho certeza de que realizaremos um belo projeto e que temos muito a aprender uns com os outros”. E, sem dúvida, ele está absolutamente certo. Este é um projeto que não só impulsionará o setor de baterias, mas também poderá servir como um exemplo de colaboração e inovação para outros setores.

Por outro lado, Luciano Cunha de Sousa destacou o potencial transformador do projeto para a indústria brasileira: “Entendemos que este projeto tem o potencial de transformar o setor e impulsionar a indústria brasileira. Baterias, em particular, são de extrema importância, especialmente para o setor de mobilidade, que é o foco principal deste projeto. Estamos empolgados não apenas pelo projeto em si, mas por acreditarmos que ele marca o início de uma nova era”. Essas palavras carregam um peso enorme e refletem a magnitude da transformação que está por vir.

O Compromisso com o Estado e a Importância da Tecnologia Nacional

Fabiano Scheer Hainosz, gerente sênior de tecnologia e inovação do Senai Paraná, também fez uma declaração que ecoou o entusiasmo de todos os presentes: “Hoje, assumimos um grande compromisso com o estado do Paraná. Foi uma imensa comemoração quando fomos selecionados para o projeto, e é uma satisfação enorme iniciar esse trabalho. Em 36 meses, a satisfação será ainda maior quando concluirmos esta fase. Digo isso porque este certamente é o começo de grandes projetos para o setor de mobilidade em geral”. A empolgação de Fabiano é palpável, e ele tem toda razão em se sentir assim. O impacto desse projeto será profundo e duradouro.

Leonardo Amaral, gerente de Regulatory Compliance da Stellantis, fez questão de ressaltar a importância da autonomia tecnológica do Brasil na produção de baterias de íons-lítio. “Esta tecnologia não existe no mercado nacional. Este projeto será fundamental para a transformação da mobilidade no Brasil, oferecendo ao consumidor soluções sustentáveis em várias plataformas e graus de eletrificação. Dominar essa tecnologia permitirá que o Brasil se torne um polo fornecedor e, potencialmente, um exportador, especialmente para o hemisfério sul, onde há países com características socioeconômicas semelhantes às nossas.”

A Relevância Ambiental do Projeto

Uma das questões mais interessantes que surgiram durante o evento foi a conexão entre a produção de baterias e a redução do impacto ambiental. Marcos Berton, pesquisador-chefe do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, trouxe à tona um ponto crucial: a vantagem competitiva ambiental do Brasil. “Hoje, a maior parte das baterias é produzida na Ásia, onde grande parte da energia utilizada emite grandes quantidades de gases de efeito estufa. O Brasil, por outro lado, tem uma vantagem competitiva do ponto de vista ambiental”, explicou Berton.

E ele está absolutamente certo. A produção local pode diminuir significativamente a pegada de carbono das baterias, aproveitando a energia limpa e a produção de alumínio mais eficiente do Brasil. “No Brasil, para cada tonelada de alumínio produzida, emitem-se 3,8 toneladas de CO2. Parece muito, mas é bem menos que a média mundial, onde se emitem 11 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio produzida. Produzir os componentes, os insumos e a própria bateria no Brasil resulta em uma pegada de carbono muito baixa, o que é muito significativo”, destacou Berton.

A Transformação da Mobilidade e da Energia

Valter Luiz Knihs, diretor da WEG, fez uma análise perspicaz sobre a transformação global em curso. “Estamos preocupados com o futuro do planeta. O domínio tecnológico de células de íons-lítio é um caminho obrigatório, não só para a mobilidade, mas também para a energia. Toda a transição energética, com o uso de energias renováveis, precisa de armazenamento, o que requer muitas baterias. Essa é a rota que o mundo inteiro está buscando.”

E não poderia concordar mais com Valter. O mundo está, sem dúvida, em um ponto de inflexão, e a inovação tecnológica em baterias é um componente essencial dessa transição.

Raul Beck, responsável técnico pela área de sistemas de energia do CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), também destacou a importância das baterias nesse cenário global. “A busca por energias renováveis e a independência de energias fósseis que agridem o meio ambiente são fortes tendências mundiais. Nessa busca contínua, é imprescindível armazenar essas energias, não apenas gerá-las, e as baterias desempenham um papel fundamental nesse processo”, afirmou Beck.

O Futuro do Projeto e o Apoio Recebido

O projeto será desenvolvido ao longo de três anos e contará com um investimento significativo, proveniente do programa MOVER, do SENAI Nacional e da EMBRAPII. Serão destinados R$ 68,6 milhões ao projeto, com apoio de instituições parceiras como o CPQD, Lactec, CETEM e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados.

Expectativas e Desafios

As expectativas são altas, e o otimismo é palpável entre todos os envolvidos. Marcos Berton, por exemplo, expressou seu otimismo em relação à construção da infraestrutura necessária e ao desenvolvimento das células de íons-lítio: “A expectativa é que a gente consiga trazer e montar toda essa infraestrutura de equipamentos, iniciar a produção, o desenvolvimento dessas células o mais breve possível. Entregando o mais rápido possível, a gente vai ter uma curva de aprendizagem da operação desse sistema, de toda essa planta operacional em curto espaço de tempo. Então, nós esperamos que isso ocorra dentro dos prazos previstos”.

Não há dúvida de que este projeto é um marco para o Brasil. É um passo audacioso em direção a uma nova era de inovação e sustentabilidade. Com a colaboração de empresas e instituições renomadas, e o apoio de líderes visionários, temos todos os motivos para acreditar que o Projeto Estruturante de Baterias de Íons-lítio será um grande sucesso.

E, pessoalmente, eu estou empolgado para ver como tudo isso vai se desenrolar. Acredito que estamos apenas no começo de uma jornada que pode colocar o Brasil em uma posição de liderança global na tecnologia de baterias. Vamos acompanhar de perto e torcer para que todos os objetivos sejam alcançados com sucesso. O futuro é promissor, e estou ansioso para ver o impacto positivo que este projeto trará para o nosso país e para o mundo.